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conheça a riqueza da literatura angolana


1. Narrativa Literária Angolana e a sua Identidade
O   CONCEITO     DE     LITERATURA      ANGOLANA

       Ora, ao cuidarmos da narrativa literária angolana temos como objecto um segmento da arte verbal angolana. Donde ressalta  uma ideia preliminar que reputamos fundamental, segundo a qual a narrativa angolana é anterior ao uso da língua portuguesa. O que do ponto de vista estético, ajuda a compreender o facto de estar subjacente uma realidade  pré-existente que deve articular-se a novas elaborações ontológicas e epistemológicas que visem a autonomização da literatura angolana e a fundamentação substantiva do adjectivo que qualifica a narrativa e a ficção. Por outras palavras, teremos de  responder à seguinte interrogativa:  como e quando é  que a narrativa e a ficção literária podem ser consideradas angolanas?

       A resposta àquela questão sugere  o que pode ser designado por identidade narrativa que, traduzindo a ideia de algo permanente, seja numa pessoa individual, seja numa comunidade histórica, permite,  no dizer de M. a. M. Ngal[3], consagrar a expressão de uma “coesão totalizadora indispensável ao poder da distinção”. É neste sentido que aplicada à história das narrativas literárias, a referida noção “ conforma o carácter durável de uma personagem (…) construindo o tipo de identidade dinâmica própria da intriga que faz a identidade da personagem”. Mas a identidade narrativa não se circunscreve  exclusivamente à personagem.

        Em Literatura Angolana e Texto Literário, Jorge Macedo detecta quatro tipos de discursos narrativos  apresentando as seguintes características concorrentes:

 

-          textologia angolanizada na forma e na expressão  ( Luandino Vieira, Jofre Rocha, Boaventura Cardoso);

-          angolanidade no  quadro do uso vernáculo da língua portuguesa      ( Arnaldo Santos, António Cardoso);

-          prosa de veridicção ( Uanhenga Xitu, Raúl David , Pepetela);

-          texto de reduplicação cultural ou texto de motivação histórica e etnográfica ( Manuel Pedro Pacavira, Henrique Abranches e Pepetela).

       A perspectiva de Jorge Macedo permite sustentar que as características  distintivas  são múltiplas, pois  à personagem juntam-se  elementos como  a  linguagem e outros recursos correlatos do texto narrativo.

       Ora, seguindo de  perto  a noção de  identidade narrativa, concluiremos que  só no quadro  do conceito de   literatura angolana se pode compreender o  alcance da  “coesão totalizadora”. Semelhante conceito há-de comportar o extensional e o intensional. O que entender  então por literatura angolana?

 

       Será literatura angolana aquele conjunto  que compreende os textos orais, as versões  escritas  dos  textos  orais em línguas  nacionais, os textos escritos em línguas nacionais, língua portuguesa ou outras línguas europeias, produzidos por autores angolanos com recurso às técnicas da ficção narrativa, de outros modos  da escrita desde que se verifique neles  uma determinada intenção estética, crítica ou histórico-literária, veiculando elementos culturais angolanos.

       Na sua dimensão extensional, este conceito cobre o seguinte:

·         textos orais;

·         versões escritas de textos orais;

·         textos escritos em línguas angolanas, língua portuguesa ou outras europeias.

 

 Do ponto de vista intensional compreende:

·         angolanidade literária;

·         expressão  de  elementos culturais angolanos;

·         utilização  de técnicas e modos da escrita poética, narrativa ou outra;

·         intencionalidade  estética.

 

Do ponto de vista ontológico os autores são angolanos no  sentido  de que são  objectos e sujeitos da experiência angolana.

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