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conheça a riqueza da literatura angolana

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Por  LUIS  KANDJIMBO

        Na  historiografia  literária angolana, raramente  se  detectam referências ao ensaio,   enquanto género literário. Alfredo  Margarido  diz, por exemplo: " Os  ensaístas  também  não são  numerosos  ou então  encontram-se  sobretudo  no terreno político. Contudo deve-se   fazer  sobressair  os nomes  e as obras  de Carlos Ervedosa, autor  da única  história  da literatura angolana, Mário  de Andrade, cujas análises  da literatura  angolana  e principalmente  da poesia  são indispensáveis  ao conhecimento  do processo literário  angolano, Costa Andrade, cujos  poucos  trabalhos  sobre  a cultura  angolana  mostram  grande  profundidade, Viriato  da Cruz que, ao lado  do ensaio político, analisa as condições  da criação  angolana, Mário  António  que, depois  dum trabalho  sobre  o poeta  e filólogo  Cordeiro  da Matta, continua  a estudar  a literatura  angolana, bem como as estruturas histórico-sociais  de Angola."[1] 

        Todavia, não  é  exacto considerar que   a prática do ensaio em Angola   tem    início com a  geração de 40. A sua história   remonta  ao século XIX, na corrente daquilo a que  Mário António  denomina  por "erudição local",  em que avultam os tribunos e publicistas  do jornalismo, de   que se destacam nomes  como José de  Fontes Pereira (com os textos  de colaboração publicados nos jornais), Joaquim Dias  Cordeiro  da Matta (com textos  dispersos publicados na imprensa  e alguns  paratextos), João Ignacio  de Pinho. E já nas primeiras três décadas do século XX, a obra colectiva (Voz  de Angola Clamando no Deserto),   Pedro da Paixão  Franco ( História de Uma Traição), António de Assis  Júnior (Relatos dos Acontecimentos   de Dala Tando e Lucala), Lourenço  Mendes da Conceição.  

       O que entender então  por  tradição ensaística angolana?

        Procuremos, em primeiro lugar, saber  o que  é o ensaio, no contexto da literatura angolana.

       Etimologicamente, a palavra ensaio deriva do latim exagiu(m) que significa acção de pensar ou pesar, tendo a  sua  semântica evoluído para o sentido de provar, experimentar, tentar.[2]

     Para  Diez-Canedo "o ensaio  é  a denominação literária dada  a um tipo de texto, difundido  hoje preferencialmente  através  da imprensa periódica, em que se discorre, de modo ligeiro ou com profundidade, sobre um tema qualquer, já que  a inconsistência  e  a brevidade, não  são condições essenciais."[3] Segundo José Luis Gomes-Martinez, "o ensaio, pois,  não  pretende provar nada, e  por isso não apresenta  resultados, mas pelo contrário desenvolvimentos  que se expõem   num processo  dialógico  em que o leitor  é parte  integrante"(pp.83-86).Para  este mesmo autor, "a  originalidade do ensaio  não reside, pois, na novidade  dos temas tratados, mas  sim no  seu tratamento; para   tal o ensaísta  conta com sua própria  personalidade  e visão  do mundo, que o individualiza; conta  também com as circunstâncias  históricas  da sociedade  da sua época, que não só  levanta novas preocupações, mas   igualmente  modela novos leitores  com novas experiências"(pp.91-94)

      No campo literário angolano, há-de ser aquele texto, geralmente breve, que no contexto da situação colonial e adoptando as técnicas do discurso em prosa, se  caracteriza pela abordagem de um tema de  relevância  para a vida cultural,  social, económica, histórica, filosófica, literária ou  outra, em que se  observa a predominância  do livre exame ou liberdade de reflexão, como  resultado  da perturbação  do autor perante a realidade circundante ou factos atomisados mas com  provável impacto  geral. Donde   “o ensaio pressupõe o amadurecimento de convicções e a sua exposição tão serena quanto possível; o seu intuito não é  informar, mas formar, e o grau de pessoalidade presente, ao invés de significar opinião, assinala o débito das reflexões (…) para com a experiência individual [4].” Este tipo de  texto breve, através do qual o  autor, dando  livre  curso a  inquietações decorrentes de uma ebulição interior, consubstancia em forma  do discurso em prosa uma visão  pessoal e possível  da realidade, é praticado em Angola, como vimos, desde  a segunda metade  do século XIX.

     A centenária  existência  deste acervo de textos espalhados nas páginas amarelecidas dos jornais e em alguns  livros,  representa aquilo que pode ser considerado hoje como património  angolano do discurso em prosa. Apesar  de   escrito em língua portuguesa na sua grande parte, há alguma produção em línguas endófonas. É  com semelhante perspectiva que  a professora Lalage Brown, por exemplo,  elaborou a  sua antologia de  textos  do discurso em prosa de não-ficção (non-fiction), produzidos por escritores africanos em língua inglesa ao longo de  dois séculos.[5]

       Reconhecendo a importância historiográfica de tais textos, Joaquim Dias Cordeiro da Matta  organizou, no declinar do século passado, um compilação de textos a que chamou Repositório de Coisas Angolenses. O critério adoptado é  o da abordagem de temas angolanos,  não sendo relevante a naturalidade dos seus autores. Mas entre estes avultam muitos autóctones. É o caso do próprio compilador, de Ignácio de Pinho e João Vieira  Carneiro.

       A  tradição  ensaística  pode ser representada  por  uma    antologia  do ensaio  angolano.

 2.      AGOSTINHO   NETO     NA   TRADIÇÃO  ENSAÍSTICA   ANGOLANA

          Agostinho Neto (1922-1979) nasceu em 1922, em Kaxicane, uma aldeia situada em Icolo e Bengo, na margem do  rio Kwanza. Fez os estudos primários no lugar natal e em Luanda. Era  um dos  mais velhos dos membros da geração  de 40.     

        Ora, entre 1942 e 1944,  publica alguma poesia no jornal O Estandarte, designadamente  Natal do Mundo – Salvação; Da Oração; Mais Alto; Canto Congregacional. Neste mesmo jornal pontificava seu pai, reverendo Agostinho Pedro Neto [6],  com textos como O Segredo da Paz em 1936 e É preciso divertir a Juventude Evangélica em 1944.

       De 1944 a 1953, publica sete textos com alguma relevância para o objecto da nossa perquirição[7], nomeadamente: A Nova Ordem Começa Em Casa(1944); A Paz  que Esperamos (1945);  Instrução ao Nativo; Uma Causa Psicológica: a “Marcha para o Exterior” (1946); Uma Necessidade(1946); O Rumo da Literatura Negra(1951); A propósito de Keita Fodeba(1953) .

       Instrução ao Nativo é um texto publicado em O Estandarte. Os outros dois, nomeadamente, Uma causa psicológica: A marcha para o exterior” e Uma necessidade,  são publicados no jornal O Farolim, em 1946.

     Agostinho Neto contava  então 23 anos de idade, quando escreveu esse texto. Mas o tom, a atitude  e o tema  parecem inscrever-se naquilo a que chamo tradição ensaística  angolana. Embora não tenhamos notícia de que  a obra de Pedro da Paixão Franco tivesse sido profusamente divulgada nos principais centros urbanos de Angola - até porque é conhecida a versão segundo a qual, o livro teria sido  destruído na alfândega - mas  admtindo-se  tal probabilidade, o mencionado texto de Agostinho Neto remete qualquer leitor atento ao ensaio polémico dos fins do século XIX. A propósito da problemática  da   instrução, vejamos o que dissera Pedro da Paixão Franco: “ A falta de instrução nesta província, sendo um grande mal para nós outros, os réprobos, para os escolhidos tem sido um benefício incomparável. Por isso, enquanto nós, os precitos, lamentamos a ausência de casas de ensino – a instrução obrigatória e gratuita, as castas privilegiadas, que tripudiam na ignorância popular, regozijando-se com o facto, oferecem incenso aos seus deuses – para que este estado de coisas continue. A instrução elementar, como acertadamente alguém comentou, há pouco – moeda corrente em quase todos os países da Europa, sem valor, porque vai sendo considerada insuficiente mesmo para aqueles que se entregam ao trabalho mais simples e rudimentar, é entre nós ainda moeda rara, como o atestam as estatísticas, e , melhor ainda, o demonstram os factos de todos os dias. O saber ler e escrever chega a ser um título mais privilegiado do que o de barão, ou visconde e conde…

Neste país é fácil esbarrar com um comendador de… qualquer coisa, do que ver quem saiba redigir duas linhas de prosa!…

“ A marcha do pensamento opõem o seu  comodismo cruel!

“Têm razão.

“Livram-se de que o povo sabendo ler, aprenda a conhecer as injustiças –dizia Camilo.

“Ai! dos sectários da Treva que, por uma aberração de casta, têm a pretensão de serem obedecidos cegamente, expedindo raios pelas ventas e coriscos pela boca, quando encontram oposição à realização dos seus desejos – se 50 por cento da população de Angola soubesse ler e escrever, e tivesse educação cívica!

“Outro galo lhes cantaria!” [8]

        É em Uma causa psicológica: a marcha para o exterior que lemos o seguinte trecho: “A minha pouca experiência impediria que a voz chegasse ao céu se eu desse conselhos. Acho, porém, que a mezinha apropriada para anular os efeitos perniciosos bastante do eurotropismo seria começar por ‘descobrir ’ Angola aos novos, mostrá-la por meio de uma propaganda bem dirigida, para que eles, conhecendo a sua terra, os homens que a habitam, as suas possibilidades e necessidades, saibam o que é necessário fazer-se, para depois querer”.

     Este texto não terá, certamente, passado sem repercussões no pequeno meio literário luandense. Tanto assim é que Domingos Van-Dúnem, secretário de redacção do jornal O Farolim à data da publicação daquele texto de Agostinho Neto, sustenta que teria recebido “aplauso público de Tomé das Neves, jurisconsulto santomense e um dos maiores arautos da causa africana, que se fixa em Luanda no final dos anos 30”[9].

       Quando, em 1949, o cabo-verdiano Filinto Elísio de Menezes, ansioso por influenciar o meio literário luandense com os ideais do movimento “Claridade”, vai proferir uma palestra promovida pela Sociedade  Cultural de Angola , as suas constatações a propósito do surgimento de uma nova poesia angolana não traziam nada de novo. Ele afirmava que “as coisas das artes e das letras pouco interesse provocam, principalmente na juventude, e que os poucos que lhes dedicam persistem em se deixar levar pelas formas antigas de expressão, amarrando-se lamentavelmente aos motivos dos poetas e prosadores do período pré - realista da literatura metropolitana”.[10]      Era algo já   observável neste trecho de Agostinho Neto: “Os nativos são educados como se tivessem nascido e residissem na Europa. Antes de atingirem a idade em que são capazes de pensar sem esteio, não conhecem Angola. Olham a sua terra de fora para dentro e não ao invés, como seria óbvio. Estudam na escola, minuciosamente, a História e Geografia de Portugal, enquanto que, da Colónia, apenas folheiam em sinopses ou estudam levemente”.

        Partindo desse momento genético da nova poesia de Angola e seguindo o percurso dos dois poetas – Agostinho Neto e Viriato da Cruz – encontrá-los-emos com o destino marcado pelo compromisso político. Embora tendo na origem a literatura, a projecção e notoriedade de ambos verificam-se quer na política, quer na literatura.

       A história pessoal de cada um deles constitui um itinerário de “valores pessoais de referência”. Devem  merecer destaque  a “coerência ideológica, a fidelidade, a combatividade, o gosto da liderança, a audácia, a capacidade de provocação ou resistência”.[11]

       Com efeito, contrariamente ao que acontece com Agostinho Neto, a primazia literária de Viriato da Cruz tem maior visibilidade no país e é aplaudida pelos companheiros, porque fazia “tentativas de poesia regionalista angolana”[12] .

        Poderemos nós  falar de uma hibernação estratégica seguida por  Agostinho Neto,  motivo pelo qual ver-se-ia  afastado do mais largo leque de contactos informais com os companheiros de geração?  Talvez seja afirmativa a resposta, se  por hibernação estratégica entendermos  o facto de Agostinho Neto se encontrar em Malanje quando publica o primeiro  texto de colaboração no jornal O Farolim.

      Quem o diz  é  Domingos Van-Dúnem, que era secretário de redacção desse periódico: “  Um dia, fiz um suelto – género que era muito do meu gosto – o comentário sarcástico às atitudes desses futuros líderes. A reacção surgiu dum grupo de funcionários públicos, jovens de craveira intelectual, colocados em Malanje, direi, semi-desterrados.” Tratava-se de Agostinho Neto e Joffre Van-Dúnem.  Domingos Van-Dúnem acrescenta: “E numa manhã de sol, segunda-feira, recebi a visita de Agostinho Neto. Elegantemente vestido, assumindo um ar grave que, entretanto, não escondia a fraternidade de espírito que dominava os seus sentimentos”.  “(…) Tive assim – direi hoje – a honra de receber e levar às colunas do jornal o primeiro artigo em que  Agostinho Neto se firmava revolucionário (…)[13]. Mas, no plano  do  retrato  físico e correspondente atitude, este  é apenas um momento, porque  num outro momento, em 1945 vêmo-lo naquela manifestação a que Mário António faz  alusão.

     A mesma não foi a impressão de Domingos Van-Dúnem quando foi contactado por Viriato da Cruz. A respeito deste poeta, diz : “O meu primeiro contacto com o Viriato da Cruz deixou-me triste. Viriato pareceu-me um jovem arrogante, de aspecto grave e desdenhoso. Suas perguntas chcaram-me. Giravam à volta de conhecimentos académicos que eu não tinha (…) até que um dia fez-me a entrega de um trabalho, como oferta pessoal, “ para publicares, se o desejares.”[14]     Importará, no entanto, recordar que em 1945, Agostinho Neto já é   funcionário público[15], vivendo, por conseguinte, um tipo de preocupações  diferentes de algunss  dos seus coetâneos.

     Talvez  assim se compreenda, que Mário Pinto de Andrade  só tenha travado amizade com Agostinho Neto em 1949, já  em Portugal frequentando todos eles a universidade. Agostinho Neto era  estudante de Medicina, matriculado na Universidade  de Coimbra  desde o ano lectivo 1947-48.

     Mário Pinto de Andrade, que era estudante de Filologia Clássica da Faculdade de Letras de Lisboa, no ano lectivo de 48-49, diz: “Portanto, é um homem que eu conheci nesse momento, que não conhecia em Luanda, não me lembro de o ver (...)”.

      Tendo em atenção o seu tipo de inquietações, é curioso constatar a indiferença de Mário Pinto de Andrade perante aquele texto de Agostinho Neto, escrito a escassos três anos antes do seu primeiro contacto, quando ainda era estudante no colégio das Beiras, em Luanda. Mas confessa  que conhecia e lia o jornal  O  Farolim.[16]

       Agostinho Neto atravessava nessa altura a fase de maturidade. O que pode ser comprovado pelos textos produzidos.

      No entanto, em 1951[17], estudantes e intelectuais africanos residentes em Lisboa fundam o Centro de Estudos Africanos de que fazem parte, entre outros, Agostinho Neto, Amílcar Cabral e Mário Pinto de Andrade, que constituíam o grupo de pensamento mais politizado. A última sessão dese Centro realizou-se em 11 de Abril de  1954.[18]

       Na sessão de 16 de Dezembro de 1951,"Humberto Machado, Agostinho Neto, Viriato(…) Alda do Espírito Santo e Noémia de Sousa  trataram  da música  e do pensamento  negros, da arte."(p.84)

       Referindo-se à actividade  de Agostinho  na sessão de 23 de Dezembro de 1951, diz  Mário Pinto de Andrade: "(…) Agostinho Neto, em associação  com Humberto Machado, tinha tratado  as Migrações  dos negros africanos, compulsivas  e não compulsivas, aculturação  dos negros africanos"(p.75). Mário Pinto de Andrade, faz  igualmente   alusão a textos  como Rumo da Literatura Negra,  a uma crítica consgrada ao Uanga de Óscar  Ribas, em que se debruça sobre a noção de ambaquista, além de traduções  de poemas de Senghor.

         Quanto às influências  desse  grupo, Mário  Pinto  de Andrade  destaca  os escritores  negros americanos ( Countee Cullen, Langston Hughes, Richard Wright), poetas  Antilhanos, Aimé Césaire,  o cubano Nicolás  Guillén, Batouala de  René  Maran . Entre as  leituras  de referência há que  reter  o nome de   Keita Fodéba  cuja peça  Mestre-Escola foi encenada pelo Centro de Estudos.E dele  fala Agostinho  Neto num de  1953, publicado na   revista da Liga Nacional Africana.

          "É no Centro   de Estudos Africanos  que nasce  a primeira  ideia  de criação  de um grupo  político  baseado  naqueles  que estavam mais empenhados"(p.96)(…)Éramos portanto Amílcar, Neto, Noémia  de Sousa e Alda do Espírito  Santo. Mas esta organização tinha um nome particular"(p.98). Entretanto o Centro  começa a desintegrar-se em 1953.

         A  partir de fins da década de 50 e de toda a década de 60, Agostinho Neto e Viriato da Cruz[19] intensificam a sua intervenção na actividade política. O primeiro, sucessivamente, é encarcerado nas cadeias da polícia política portuguesa. O segundo , após um período de retiro na cidade da então Sá da Bandeira por razões de doença, sai de  Angola por volta de 1957, e lança-se com Mário Pinto de Andrade na campanha internacional pela autodeterminação e independência de Angola, ao mesmo tempo que criam uma organização política no quadro  do movimento de  libertação nacional.



[1] Alfredo  Margarido, Ensaio sobre Literaturas das Nações  Africanas de Língua Portuguesa,Lisboa, Regra do Jogo,1980,p.345

[2] Massaud Moisés, A Criação Literária (Prosa), São Paulo,Cultrix,1987

[3]  Ver  José  Luis  Gómez-Martinez, Teoria del Ensayo, Mexico,UNAM,1992, pp.17-21

[4] Idem.

[5] Lalage Brown (ed.), Two Centuries of African English,London,Nairobi,Ibadan,Heinemann,1982

[6] O reverendo Agostinho Pedro Neto morreu em 21 de  Junho de 1946. Era natural de Kalomboloca.Foi pastor evangélico e professor primário em Kaxicane onde foi colocado em 1918.Em 1925 foi ordenado Presbítero. 

[7] De 1944 a  1953 a  produção ensaística de Agostinho Neto comporta  seis textos de inegável importância: Instrução ao Nativo; Una Causa Psicológica: a “Marcha para o Exterior”; Uma Necessidade; O Rumo da Literatura Negra; A propósito de Keita Fodeba.

[8]  Pedro da Paixão Franco, História de Uma Traição,Vol.II,pp.117-118

[9]Ob. Cit., p.201

[10] Ver Filinto Elísio de Menezes, “Apontamento sobre a poesia de Angola”, in separata do jornal Cultura, Luanda, 1949, p.67

[11] Eduardo Lourenço, Sentido e Forma da Poesia Neo-realista, Lisboa, Dom Quixote,1983,pp.88. O apelo a este ensaísta português não é gratuito.É que a atmosfera política,  cultural  e literária em que vive a geração neo-realista  portuguesa  influenciou  positivamente, sob o ponto de vista  ético e estético, a  geração angolana de 48.

[12] Ver carta de  António Jacinto a Agostinho Neto  publicada em Lúcio Lara, Um Amplo Movimento…,Vol.I, Luanda, Edição Lúcio e Ruth Lara,1997,pp.440-441

[13] Ver Ob.cit. pp.200-201

[14] Idem,Ibidem

[15] Na edição de Novembro e Dezembro de 1944 de O Estandarte lê-se uma notícia  que dá conta da deslocação de Agostinho para Malange, onde  iria ocupar o cargo de funcionário para que fora   nomeado oficialmente.

[16] "Na época  havia ainda  um pequeno   jornal  que se imprimia  de uma maneira  bastante irregular: o Farolim, que eu ainda lia… É  muito ambíguo: há artigos de exaltação de colaboradores, colaboradores mestiços, no  movimento de Restauração de Angola (…)(Entrevista,p.44)

[17]  Nesse ano era criado o Departamento Cultural da Associação dos Naturais de Angola. Segundo Mário António, “ o  que se fazia em Luanda naturalmente ganhava  corpo intelectual com a participação de ausentes, entre eles, como se verá Mário Pinto de Andrade. Confirma-o a carta de António Jacinto a Agostinho Neto.

[18] Ver Michel Laban,  Mário  Pinto de Andrade-Uma Entrevista,p.81

[19] Viriato da Cruz  participava das actividades do Centro.Diz  Mário Pinto de Andrade:"(…) Viriato da Cruz  interveio  no nosso Centro  de Estudos Africanos, fez uma intervenção, não me lembro  bem qual(…)(p.68)  e tratatou do tema Os conceitos  África Branca e África Negra.

A partir de fins da década de 50 e de toda a década de 60, Agostinho Neto e Viriato da Cruz intensificam a sua intervenção na actividade política. O primeiro, sucessivamente, é encarcerado nas cadeias da polícia política portuguesa. O segundo , após um período de retiro na cidade da então Sá da Bandeira por razões de doença, sai de Angola por volta de 1957, e lança-se com Mário Pinto de Andrade na campanha internacional pela autodeterminação e independência de Angola, ao mesmo tempo que criam uma organização política no quadro do movimento de libertação nacional.

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