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Raúl David
A leitura
de toda a sua obra permite detectar a existência de um fio condutor
que aponta para a
predominância da narrativa-testemunho, apesar das incursões que realiza nos domínios da
poesia oral em versões escritas e da ensaística. Mesmo assim está subjacente uma
intenção de transmitir um conhecimento que, tendo-lhe chegado pela via oral, ele prefere reduzi-lo a escrito. Por
todas estas razões, Raúl David é na verdade um cultor da memória, o que pode ser comprovado pela sua capacidade
de improvisar a narração de experiências
e factos ocorridos há cinquenta anos.O que qualifica o seu discurso narrativo no contexto
do que é a contribuição para
a história social da região de Benguela. A sua
proficiência na língua Umbundu
associada à frescura com que trabalha
quando conta as suas histórias, constituem dois elementos
entre tantos daquilo
que permite distingui-lo de outros escritores angolanos que usam
o português. Nele se reconhece
a coexistência actual das línguas nacionais
e da língua portuguesa. |
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